A Capela de Las Ventas | Visita Oficial Plaza de Toros Madrid
Um recanto secreto de Madrid

A Capela de Las Ventas

O templo mais íntimo da Monumental, onde a fé, a tradição e o medo se encontram em silêncio segundos antes do paseíllo.

1931 Ano de fundação
2 Virgens padroeiras
2024 Reaberta ao público
100% Tradição viva
Descubra
A alma escondida da Monumental

Um recanto pouco conhecido da praça madrilena

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Por detrás do estrondo dos clarins, dos olés das bancadas e do pó do albero, existe em Las Ventas um espaço diminuto que poucos visitantes imaginam. Fechada durante décadas ao público, a capela da Monumental faz hoje parte do percurso habitual da visita: um lugar minúsculo que, no entanto, reúne um caudal sem paralelo de história, recolhimento, fé e medo.

Durante gerações, esta sala só podia ser pisada pelos toureiros, instantes antes de saírem para a arena. Ali, diante do altar, os mestres e as suas quadrilhas ajoelham-se em absoluto silêncio para se encomendarem aos seus santos antes de o toque de clarins anunciar o paseíllo. É o último instante de calma de quem vai enfrentar o touro.

Após a moderna restauração de 2024, promovida pela Comunidade de Madrid, a capela reabriu as suas portas com melhorias nos tetos, pinturas e coberturas, devolvendo-lhe o esplendor original sem perder um ápice da sua carga emocional.

Interior da capela da Plaza de Toros de Las Ventas, em Madrid
As padroeiras da fé taurina

Duas virgens, duas margens do Atlântico

O altar da capela é presidido por duas figuras marianas que unem Madrid à tradição taurina hispano-americana, símbolo da ponte cultural que a tauromaquia teceu entre Espanha e a América.

Padroeira popular de Madrid

Virgem da Paloma

A grande devoção madrilena, símbolo do bairro de La Latina e do Madrid castiço, preside ao pequeno altar da capela. A sua imagem, num quadro humilde, recebe o recolhimento silencioso de toureiros vindos de todos os cantos do mundo, num gesto que une a espiritualidade popular do povo de Madrid ao ritual do paseíllo.

Padroeira do México e da América

Virgem de Guadalupe

Padroeira do México e de toda a Hispano-América, a sua presença em Las Ventas não é casual: reflete a profunda raiz taurina do continente americano e o vínculo emocional que as figuras mexicanas, colombianas, peruanas ou venezuelanas mantêm com a praça mais exigente do mundo. Uma virgem americana no coração de Madrid.

Antes do toque de clarins

O ritual da quadrilha

Cinco minutos antes do paseíllo, o pátio das quadrilhas silencia-se. Uma porta estreita conduz à capela. O que acontece lá dentro é um dos gestos mais íntimos e antigos da tauromaquia.

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A travessia do pátio das quadrilhas

Os matadores, já vestidos com o traje de luces, atravessam o estreito pátio acompanhados das suas quadrilhas. É um percurso curto, mas carregado: os segundos parecem alongar-se antes de empurrarem a porta da capela.

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O silêncio do recolhimento

Lá dentro, o ruído apaga-se. Toureiros e subalternos ajoelham-se diante do sacrário, pintado no seu tempo a branco e ouro pelo sacerdote Cruz Goñi Paternáin, durante décadas capelão de Las Ventas. É o último instante de absoluta calma.

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O sinal da cruz

Muitos benzem-se; outros traçam com o pé o sinal da cruz sobre a areia ao sair. Algumas capas trazem bordadas imagens de cristos ou virgens, um costume que passou de geração em geração entre as grandes figuras da tauromaquia.

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A estampinha no altar

Alguns toureiros deixam, sobre a toalha branca do altar, pequenas estampinhas com os seus rostos ou com os seus santos de devoção. Dezenas delas, acumuladas ao longo dos anos, são hoje um dos testemunhos mais comoventes que a capela conserva.

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O paseíllo

Soam os clarins. A porta abre-se. A luz do albero, ofuscante, espera-os. O que acontecer depois depende apenas do touro, da coragem do toureiro… e, para muitos deles, do que foi rezado segundos antes neste pequeno templo.

As preces da arena

O Pai-Nosso e a Avé-Maria taurinos

Na parede direita da capela, um quadro minúsculo impressiona quem o lê: dois textos escritos em dezembro de 1982 pelo poeta Rafael Herrero Mingorance. São as “orações taurinas”, uma raridade espiritual única no mundo da tauromaquia.

Parede direita · 1982

Pai-Nosso taurino

"Pai Nosso, que estais nas arenas, bem rezado seja o Vosso nome. Venha a nós a Vossa coragem e faça-se a Vossa lide, assim na praça como na vida..." — Rafael Herrero Mingorance
Parede direita · 1982

Avé-Maria taurina

"Deus Vos salve, Maria, cheia de graça. Bendita sois Vós entre as mulheres, e bendito seja o fruto da coragem que se entrega todas as tardes sobre a areia..." — Rafael Herrero Mingorance
A praça por dentro

O coração neomudéjar de Madrid

Construída em 1931, a Plaza de Toros de Las Ventas é um dos ícones arquitetónicos mais reconhecíveis da capital. Dentro do seu majestoso anel de tijolo e azulejaria esconde-se um templo diminuto onde a história da tauromaquia se conta em silêncio.

Tesouros e histórias

A capela que guarda histórias

Cada canto da capela esconde um objeto doado, uma história, um nome que deixou marca na tauromaquia. Estes são alguns dos tesouros que o visitante pode contemplar hoje.

Cessão dos Bienvenida

O Cristo da família Bienvenida

Uma das peças mais emblemáticas da capela é o crucifixo cedido pela histórica família de toureiros Bienvenida, dinastia que marcou o século XX nas arenas espanholas. Uma doação carregada de simbolismo familiar e taurino.

Capelão histórico

Cruz Goñi Paternáin

O sacerdote navarro foi, durante décadas, capelão de Las Ventas. Pintou com as suas próprias mãos o sacrário, a branco e ouro, definindo a estética que ainda hoje preside ao altar. A sua memória é inseparável da história espiritual da praça.

Restauração 2024

Reabertura após a remodelação

Em outubro de 2024, a Comunidade de Madrid reabriu a capela após uma modernização completa que incluiu a reabilitação de tetos, pinturas e coberturas, para resolver infiltrações de água. A capela voltou a brilhar, pronta para acolher uma nova geração de visitantes.

"Se há um lugar de Madrid que, apesar da sua pequenez, reúne um caudal sem paralelo de história, tradição, recolhimento, fé, paixão e medo, esse é a capela da Monumental de Las Ventas."

Vida Nueva · 2019
Galeria

A capela em imagens

Múltiplos olhares sobre um mesmo lugar: o altar presidido pela Virgem da Paloma, os detalhes do recolhimento, a praça por dentro e o recanto íntimo onde os toureiros se encomendam antes do paseíllo.

Património cultural vivo

Onde a fé popular se torna ritual

A capela concentra séculos de tradição taurina e espiritualidade madrilena num espaço diminuto. Cada estampinha, cada cristo, cada oração representa a marca pessoal de um toureiro que passou por aqui antes de enfrentar o touro.

Percurso pelo interior da capela de Las Ventas durante a visita
Uma visita imprescindível

Porque é que a capela surpreende cada visitante

Para os visitantes internacionais, este pequeno espaço é especialmente marcante porque revela uma dimensão pouco conhecida da cultura espanhola: a relação entre os rituais, a tradição, a espiritualidade popular e a história de um ofício profundamente ligado à identidade de Madrid.

Não é necessário ser aficionado da tauromaquia para se comover neste lugar. A capela fala uma linguagem universal: a do medo humano perante o incerto, a da coragem encomendada a algo maior, a do silêncio antes do momento decisivo. Um instante vivido por cada grande figura da tauromaquia, de Joselito aos mestres atuais.

Visitar a capela de Las Ventas é entrar, durante alguns minutos, num dos recantos mais íntimos, mais bem guardados e mais comoventes de Madrid. Um lugar que não aparece nos guias turísticos convencionais e que, no entanto, condensa séculos de cultura, espiritualidade e emoção.

Veja a reportagem

A capela, em vídeo

Acompanhe-nos a este recanto secreto da Monumental de Las Ventas num percurso visual narrado: o pátio das quadrilhas, as estampinhas do altar e o silêncio do recolhimento antes do paseíllo.

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Viva a experiência

Descubra a capela na Visita a Las Ventas

Faz parte do percurso oficial pela Monumental: a arena, o pátio das quadrilhas, os curros, o Museu Taurino e, claro, este pequeno templo de que tão pouco se fala.

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